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Podemos alterar o nosso DNA e virar “super heróis”?

06/05/2019

    Desenhos, séries e filmes em que o personagem principal sofre alguma alteração em seu DNA, e com isso ganha superpoderes, não faltam! E quem nunca imaginou alterar alguma característica sua? A cor do olhos, altura… ou até mesmo ter algum super poder? Agora, isso não é mais só uma história da ficção, tem até uma pessoa chamada Josiah Zayner que supostamente alterou o seu próprio DNA para ficar mais musculoso.

       Pois é, jovem! Nós do Ciência por Aí tivemos um misto das reações acima ao ler essa notícia!

        No universo dos super heróis, Peter Parker depois de ser picado por uma aranha radioativa teria tido seu DNA alterado e assim ganhado seus super poderes, se tornando o homem aranha.

    O DNA é o nosso material genético, nele estão as informações que determinam as características de cada ser vivo. Você pode imaginar o DNA como sendo um livro onde estão as instruções de como nós seremos, a altura que podemos ter, o formato do nosso nariz e por aí vai.

 

    No mundo real, modificações intencionais no DNA vêm sendo feitas, uma delas com uma técnica de edição genética chamada CRISPR, que é uma abreviação do nome em inglês (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats). Traduzindo ficaria algo como: conjunto de sequências curtas de DNA, que se repetem e são palindrômicas.

 

     Calma jovem, a gente explica: imaginando o DNA como um livro, nele teríamos alguns trechos pequenos e que se repetem ao longo do livro. E quando lemos essa sequência da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita, estaria escrito a mesma coisa. 

 

     Pra ficar fácil, faça o teste com a  palavra abaixo: 

 

E se você assistiu o primeiro filme do homem aranha estrelado pelo ator Tobey Maguire, talvez se lembre da cena em que Peter Parker descobre, após ter sido picado pela aranha radioativa, que não precisa mais usar óculos.

    E é para esse tipo de “problemas” que o interesse no CRISPR tem crescido: o potencial uso desta técnica para mudar o DNA e curar algumas doenças.

 

        E aí que bate a dúvida: Como é feita esta edição no DNA?

       Pensando no DNA como um livro, imagine que ele é composto por um longo texto. O “texto” de cada um é diferente e eventualmente algum “texto” apresenta algumas palavras erradas ou até mesmo faltando ou sobrando. Utilizando a  técnica CRISPR, essas partes podem ser encontradas e corrigidas, ou seja, editadas.

 

       Nesta história, de modo simplificado, o CRISPR funciona assim: como personagens temos o DNA, uma enzima chamada CAS9 e o RNA guia.

 

     Quem já abriu um texto no computador ou no celular e queria encontrar alguma palavra em um texto grande, sabe que a ferramenta buscar, onde você digita a palavra e a ferramenta procura no texto e mostra pra gente onde ela está, ajuda muito. É neste sentido que entra o RNA guia.

       Lembra que falamos que o DNA é extenso e demos o exemplo do livro?  imagina que você quer editar alguma parte dele mas você não sabe onde essa parte está. O RNA guia atua como a ferramenta de busca e ajuda a encontrar o trecho do DNA que queremos editar. Quando a parte é encontrada, outro personagem da nossa história entra em ação: a enzima CAS9. Ela age como uma “tesoura” e corta esse pedaço.

 

      A partir daí, essa parte pode ser editada, retirada ou ser adicionado outro trecho no local.

      Mas o que aconteceu com o Josiah Zayner, o cara que tentou alterar o seu próprio DNA e ficar mais  musculoso?

 

      Em entrevistas, ele declarou que houve modificação no local onde ocorreu a injeção. E aí surge a dúvida: Mas e se a quantidade injetada fosse grande o suficiente, seria possível ele se tornar mais musculoso como em um filme de ficção científica ou de super heróis?

     Fomos perguntar pra quem entende do assunto, o Professor Dr. Tiago Campos Pereira do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP - USP).

 

       “A princípio, se a quantidade injetada fosse elevada o suficiente, a ponto de que todas as células de seu tecido muscular fossem editadas, ele poderia desenvolver uma musculatura consideravelmente maior. Creio que a comparação com super-heróis provavelmente seja incorreta, pois, são exemplos ficcionais extraordinários. Em especial, como não se conhecem ainda todos eventuais riscos associados à técnica (como, por exemplo, a edição e alteração inadvertida de outros genes importantes no organismo) a atitude dele foi absurdamente arriscada e imprópria. Ou seja, acidentalmente, ele poderia ter alterado outros genes importantes para sua musculatura, resultando em um efeito oposto: perda da massa muscular” diz Tiago.

        É Jovem, no momento é mais provável um super herói ao estilo do Homem de Ferro, onde ele usa tecnologia para ter os seus superpoderes, do que um homem aranha.

 

 

 

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