Como acontece um eclipse?

Um dos temas mais fascinantes da Astronomia são os famosos eclipses. Toda vez que acontece esse fenômeno, milhares de pessoas ao redor do mundo ficam na expectativa para observar o espetáculo. Canais do YouTube transmitem o evento, curiosos tiram fotos ou observam com o telescópio, a galera reclama nas redes sociais que não consegue ver nada, enfim, o mundo todo para o que está fazendo só para admirar tamanha beleza.

2018 foi um ano bem movimentado em termos de eclipses: rolaram cinco no total, dois da Lua e três do Sol. Mas você já se perguntou como é que acontece um eclipse? Qual a diferença entre o eclipse solar e o lunar? E por que a Lua às vezes fica vermelha?

Sim, caro leitor, essas dúvidas também causaram frisson em nossos neurônios! Mas, como sempre, nossa intrépida equipe preparou a listinha de perguntas e foi em busca de um especialista para satisfazer nossa curiosidade. Quem gentilmente nos conduziu nesta viagem por planetas, estrelas e satélites foi o astrônomo do Observatório Dietrich Schiel, do Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP São Carlos André Luiz da Silva.

Antes de mais nada é preciso entender o que é um eclipse, não é mesmo? Pois bem, um eclipse sempre é explicado do ponto de vista de quem está na Terra. No entanto, como já sabemos, existem dois tipos de eclipse: os solares e os lunares.

“O eclipse solar ocorre quando a Lua se interpõe entre o Sol e a Terra e assim os três astros ficam alinhados na posição Terra-Lua-Sol. A sombra da Lua então é projetada na superfície da Terra”, explica Silva.

Mas nem todos os habitantes da Terra conseguem, ao mesmo tempo, ver um eclipse. E sabe por quê? “Como a Lua tem mais ou menos 1/4 do tamanho da Terra, essa sombra é relativamente pequena e cobre apenas uma parte da superfície terrestre. Os sortudos que estiverem dentro dessa sombra verão um eclipse solar. Quem está bem no meio da sombra poderá ver um eclipse solar central, que pode ser total ou anular. Quem está mais afastado do centro da sombra, mas ainda dentro dela, verá um eclipse solar parcial”, conta o astrônomo.

Pera lá... eclipse solar total? Eclipse solar anular? Bugamos aqui...

Silva explica a diferença entre eles. “No eclipse solar total, a Lua encobre totalmente o Sol. No eclipse solar anular, o tamanho da Lua não é grande o suficiente para encobrir o sol completamente”, diz ele.

Já o eclipse lunar acontece quando a Terra se posiciona entre os raios solares e a Lua, projetando sua sombra sobre o satélite natural.

A gente sempre vê notícias sobre eclipses solares e lunares todos os anos, mas será que acontecem muitos no período de um ano? “Não há um número fixo anual porque o período em que a temporada de eclipses acontece não tem duração de um ano. Mesmo assim, é possível falar em número máximo e número mínimo de eclipses solares que podem acontecer em um ano: no mínimo dois e no máximo cinco”, explica Silva. A mesma explicação também vale para os eclipses lunares.

Tá, mas... o que determina exatamente a duração de um eclipse? Segundo o astrônomo, para saber a duração de um eclipse é preciso analisar dois fatores importantes: a distância da Lua à Terra e a distância do Sol à Terra. “Se a Lua estiver mais distante da Terra, seu tamanho aparente, isto é, o tamanho visto da Terra, é menor e ela pode ficar mais tempo na sombra da Terra. O ponto de maior afastamento à Terra na órbita lunar se chama apogeu”.

Um dos eclipses lunares que aconteceu em 2018, no dia 27 de julho, foi considerado o mais longo do século XXI. De acordo com o astrônomo, a Lua estava exatamente no apogeu nesse dia.

A distância da Terra ao Sol também interfere na duração do eclipse e é responsável pelo tamanho do chamado cone de sombra. “Quanto mais distante do Sol a Terra estiver, maior será esse cone, e assim também a Lua passa mais tempo nele durante o eclipse. O ponto de maior distância ao Sol na órbita terrestre se chama afélio”, conta Silva.

De acordo com o astrônomo, a Terra passou por seu último afélio no dia 6 de julho. Portanto, no eclipse do dia 27 de julho, o cone de sombra ainda estava grande, permitindo que a Lua ficasse mais tempo transitando por ele e contribuindo para a longa duração do fenômeno. Ele foi visível na América do Sul, Europa, África, Ásia, Austrália e durou, ao todo, três horas e 55 minutos. Só o período de totalidade foi de uma hora e 43 minutos. Tempo de sobra para apreciar, não?

Outra curiosidade em relação ao eclipse do dia 27 de julho foi a cor que a Lua adquiriu. Quem assistiu relatou que ela ficou com uma cor bem avermelhada, um fenômeno que muita gente chama de “Lua de Sangue”.

Calma, jovem! Isso não quer dizer que a Lua fica banhada em sangue. Nosso caro astrônomo explica: “O termo Lua de sangue é apenas um modismo. Como frequentemente nos eclipses lunares a Lua fica com uma coloração avermelhada, criou-se esse termo alarmante para chamar a atenção de forma sensacionalista para o fenômeno”.

Tá, beleza! Mas a que se deve essa cor estranha, então? “A coloração vem do fato de a atmosfera da Terra desviar a luz que passa por ela – um fenômeno conhecido como refração – além de espalhar preferencialmente as cores próximas ao azul da luz solar”, explica Silva.

O resultado é que a luz solar fica com uma coloração mais avermelhada ao passar pela atmosfera terrestre, o que explica a coloração do nascer e do pôr do sol. “Na realidade, a Lua durante o eclipse está recebendo precisamente a luz de todos os nasceres e pores do sol naquele instante. Poético, não? Muito mais interessante do que Lua de Sangue", diz.

E será que essa cor avermelhada vale para todos os eclipses lunares? O astrônomo explica que nem sempre isso acontece. “Como a coloração depende das condições atmosféricas da Terra, pode acontecer de a Lua ficar marrom, quase negra, ou ainda um laranja bem claro”.

Com tanta informação, você certamente nunca mais vai ver um eclipse da mesma forma! E fique ligado, pois de acordo com a NASA o calendário astronômico de 2019 já começa com dois eventos importantes: um eclipse solar no dia 6 de janeiro e um lunar no dia 21. Então prepare o telescópio ou procure um observatório astronômico, no caso do eclipse solar, para curtir o fenômeno com segurança!

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