Como funciona a internet?

22/10/2018

 

Dar aquela checada no Facebook, Instagram, Twitter. Assistir um vídeo no Youtube ou aquela série top na Netflix. Mandar mensagens pelo Whatsapp, Telegram, Skype. Você pode nem perceber, mas pra tudo isso utilizamos a internet!  E parece que tudo acontece como num passe de mágica, não é mesmo? Em questão de cliques temos acesso aos mais variados tipos de coisas. Mas como será que essa mágica acontece? Nós, do Ciência por Aí, resolvemos desvendar esse mistério. Bora saber mais?

 

 

Ao mesmo tempo em que você está conectado à internet, milhões (até bilhões) de outras pessoas também podem estar. Isso faz com que o funcionamento da internet não seja tão simples.

 

Imagine, por exemplo, que você e um amigo tentem conectar seus computadores usando cabos. Para isso, precisariam de apenas um cabo. Se 15 amigos tentassem, precisariam de mais cabos e os computadores teriam que ter mais entradas para esses cabos serem ligados, e assim por diante. Ou seja: usar essa lógica para conectar muitas pessoas tornaria a ideia inviável.

 

 

Para resolver esse problema, existe o roteador, um aparelho que repassa a informação para todos os outros computadores que estiverem conectados a ele.

 

 

Não entendeu? Deixa que a gente explica de outro jeito: imagine que entre esse seu grupo de amigos, uma pessoa vai ser a responsável por passar a informação que ela recebe para todos os outros amigos. Por exemplo, você diz a ela que seu sabor favorito de sorvete é morango. Se alguém desse seu grupo procurar saber qual é o seu sabor de sorvete favorito, ela dirá. Do mesmo jeito, você pode acessar informações sobre cada um de seus amigos.

 

Voltando aos computadores: em vez de usar muitos cabos e entradas para fazer seu computador interagir com os de seus amigos, como sugerimos lá no primeiro exemplo, o roteador torna isso possível com apenas um cabo. E essa interação é o que conhecemos como rede.

 

 

Tá, você pode dizer que seu computador usa a internet sem estar conectado por fios, graças àquela sigla que a gente ama: Wi-Fi. Mas, mesmo assim, o exemplo acima ainda vale!

 

Até aqui, a ideia não é tão difícil de entender. Mas como fazer para conectar minha rede com a rede de outro grupo de amigos?  Ou até mesmo com milhões de pessoas?

 

 

Lembra quando falamos que o roteador funciona como um computador normal? Então, jovem: seu roteador pode ser conectado ao roteador de outro grupo de amigos. De uma forma simples, é exatamente assim que funciona a internet!

 

 

 

“A internet é uma rede de redes. Ela funciona por meio do estabelecimento de troca de mensagens entre dispositivos, como computadores, celulares, roteadores, entre outros”, diz a professora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP Kalinka Castelo Branco.

 

Quando você está jogando uma partida on-line e, em um momento decisivo, sua conexão com a internet cai, pronto: lá vem gritos e xingamentos contra a internet, contra a empresa que fornece internet e contra tudo mais que estiver envolvido. É nesses momentos que esquecemos como a internet é maravilhosa e permite a união entre o mundo real e virtual.

 

 

Mas já parou para pensar como você consegue jogar on-line com alguém que está literalmente do outro lado do mundo?  Ao contrário do que muita gente pensa, as informações da internet não são transmitidas apenas por satélites, mas também por cabo! Isso mesmo: tem um cabo ligando sua casa à casa de outra pessoa no outro lado do mundo. Não é incrível?

 

“As informações são também transmitidas por fibras ópticas, que são os meios mais comuns. Quando há necessidade dessas informações passarem pelo mar, existem cabos chamados transoceânicos. Desse modo, as mensagens podem ser transmitidas via satélite, via cabo (dos mais diversos), via cabos transoceânicos e também por ondas de rádio, como no caso das redes sem fio (popularmente conhecidas como WiFi). Se bem que há outros meios, ou melhor, outros protocolos por onde as mensagens também podem ser transmitidas pelo ar, como o Bluetooth, o ZigBee, entre outros”, conta Kalinka.

 

Agora que sabemos o que é a internet e os meios pelos quais a informação é transmitida, surge outra dúvida: quando enviamos aquela mensagem ao crush, como será que ela chega certinho e não vai parar, por exemplo, no celular de outra pessoa? (bom, pelo menos quando a gente não se confunde com os contatinhos!)

 

 

 

Kalinka explica que cada dispositivo conectado à internet tem um protocolo diferente, o que é chamado de número de IP. Esse número funciona de maneira parecida ao endereço das casas. Seu celular por exemplo, quando conectado à internet, tem um número de IP e o dispositivo para o qual você está enviando a mensagem tem outro número como esse. Nessa história, o roteador funciona como uma espécie de carteiro.

 

“Existem no meio do caminho outros roteadores, que permitem que as mensagens sejam comutadas, ou seja, enviadas de um a outro até que cheguem ao destino final. O que acontece é que em cada um desses roteadores temos um protocolo que permite a descoberta do próximo dispositivo para onde a mensagem deve ser encaminhada. É como se em cada um desses roteadores tivéssemos alguém com um megafone perguntando se dentre aqueles dispositivos que conseguem ouvi-lo tem alguém que tenha aquele endereço para o qual a mensagem foi encaminhada. Caso tenha, a mensagem é entregue. Caso não, essa mensagem é repassada para outro roteador que faz a mesma coisa, usa o megafone, até chegar no destino final. É assim que as mensagens chegam de um lado ao outro”, explica a professora.

 

 

Como tudo na internet tem esse “endereço”, bloqueios nessa “estrada” também podem impedir que algumas informações cheguem em certos locais. Um exemplo disso são os famosos bloqueios de aplicativos, como o que uma vez ou outra acontecem com o Whatsapp no Brasil.

           

“Cada site fica hospedado em um lugar, isso mesmo, como se ele morasse em um lugar. Esse lugar tem um endereço e esse endereço pode ser bloqueado para que ninguém o acesse. Sendo assim, se um país, por exemplo, não quiser que um determinado site seja acessado, os órgãos que regulamentam a internet (ou que fazem a governança da internet) daquele país impedem ou bloqueiam o acesso da internet daquele país para aquele determinado site. O mesmo vale para os aplicativos. Só que no caso deles, o funcionamento é por uma porta (chamamos de porto), e nesse caso essas portas são bloqueadas. Mas a ideia é a mesma: sempre são bloqueados os endereços. Por isso há meios de burlar isso. Então mais e mais softwares e equipamentos são utilizados para evitar acessos indevidos”, diz Kalinka.

 

Bem, e é quando aplicativos ou sites muito usados no nosso dia a dia param de funcionar que percebemos o quanto somos dependentes da internet. Vai me dizer que não foi estranho quando o Whatsapp parou de funcionar? Ou quando, por algum motivo, você fica sem internet em casa? A única coisa que dá pra fazer é ficar brincando com o Chrome Dino, aquele joguinho que aparece no Google Chrome quando estamos sem internet. Imagine, então, se por algum motivo a internet caísse no mundo todo... Será que conseguiríamos viver sem ela?

 

 

“Muito difícil viver sem a internet. Tudo o que fazemos gira em torno dela, não conseguimos mais ficar desconectados. O acesso a um banco é pela internet, o acesso a notas de prova é feito pela internet... Quando ligamos o computador e não há internet, a primeira coisa que pensamos é: xiii, o que eu vou fazer? Não dá para fazer nada! Aí pensamos: vou tentar escrever um texto. Começamos usando o Word e, em um piscar de olhos, pensamos em qual o melhor sinônimo para uma palavra e já abrimos o browser, procurando no Google qual o melhor sinônimo. Daí nos damos conta de que não há internet e pensamos novamente: xiii, como vou fazer agora? Isso permite ver o quanto usamos a internet e o quanto dependemos dela atualmente”, lembra Kalinka.

 

Já deu pra notar que se a internet caísse hoje, seria um caos. Essa enorme rede nos conecta, aproxima e, convenhamos, até nos distancia algumas vezes da realidade. Afinal, quem nunca perdeu a noção do tempo enquanto navegava? Será que a internet teria fim algum dia?

 

 

“Difícil ela acabar, já que somos cada dia mais dependentes dela. Temos atualmente tudo na cloud (nuvem) e o acesso é possível de qualquer lugar, a qualquer momento. Isso é a beleza da internet: você não precisa mais ter um computador para baixar suas fotos de viagem, você pode ir a qualquer computador em qualquer lugar e baixar as fotos diretamente para uma conta que está na cloud. Essa é a mágica da internet, e não conseguimos mais viver sem ela. É impossível deixar de se comunicar com alguém e saber qual a localização dessa pessoa. Isso já está impregnado no nosso dia a dia”, afirma a professora.

 

Um mistério que existe em torno da internet é a existência de uma outra internet funcionando dentro da internet, a chamada Deep Web, que seria uma parte da internet cujas páginas não aparecem nos resultados normais de busca e que seria necessário usar programas específicos para acessá-la. Kalinka explica que a Deep Web é real, mas que é bom a gente se manter distante dela.

 

“Sim, a Deep Web existe, mas deve ser evitada por pessoas normais. Em geral, quando se acessa a Deep Web, vários malwares (do inglês malicious softwares ou softwares maliciosos) podem ser instalados em seu computador, infectando-o. Sendo assim, mantenha-se longe dela!”, aconselha a professora.

 

Bom, depois de saber um pouco mais sobre como a internet funciona, nada melhor do que continuar usando essa ferramenta para aprender coisas novas. E para ficar de olho nas novidades que trazemos pro Ciência Por Aí, claro!

 

 

 

 

 

 

 

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