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Pode mesmo existir água em Marte?

10/09/2018

No final de julho, rolou a maior agitação no mundo científico com a notícia da descoberta de uma grande quantidade de água em Marte. Não, jovem, não estamos tentando trollar ninguém: cientistas do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália analisaram imagens do planeta vermelho captadas por uma sonda enviada pela Agência Espacial Europeia e confirmaram a existência de um lago por lá.

 

Claro que nós do Ciência Por Aí ficamos animadíssimos com a notícia. E várias dúvidas que certamente você também tem invadiram nossas mentes: qual será a importância dessa descoberta para a Ciência? Essa água é potável? Vamos poder nos mudar para Marte em breve?

 

 

Ufa! O jeito foi respirar fundo e fazer o que a gente sempre faz: buscar todas essas respostas! E já que missão dada é missão cumprida, recorremos à ajuda do astrofísico do Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP São Carlos André Luiz da Silva para desvendar esses mistérios.

 

E se você ainda jura que essa história de água em Marte não passa de piração, Silva garante que isso é plenamente possível. “A água já havia sido detectada, mas sob a forma congelada. O anúncio recente acena com a evidência de água líquida, e aí está a novidade”, conta ele.

 

 

Imagem produzida pelo Instituto Nacional de Astrofísica da Itália mostra a cobertura de gelo em Marte e a representação das leituras de radar (no desenho colorido) [Crédito: Davide Coero Borga/INAF/ESA/Arizona State University)

 

OK, realmente uma descoberta dessas deixa qualquer um surpreso. Mas será que isso pode mudar alguma coisa nas nossas vidas? E para a Ciência, o que muda? Silva afirma que esse fato é sim muito importante, e vai além. “Essa descoberta pode estabelecer semelhanças entre ocorrências de água líquida subsuperficial [água que se infiltra no solo e depois retorna à superfície na forma de depressão] na Terra e em Marte. Isso pode facilitar a futura colonização e também abre a possibilidade da existência de vida em Marte agora mesmo, ainda que microbiana”, diz ele.

 

 

Vida em Marte... Já pensou que divertido seria um tour pelo planeta vermelho com seus simpáticos habitantes? Nossa mente foi longe!

 

 

Viagens na maionese à parte, em tempos de estiagem e garganta seca, outro detalhe chamou muito nossa atenção nessa descoberta: a água, claro! Será que ela é potável? Ou que existe um Sistema Cantareira por lá?

 

 

“Os pesquisadores revelaram uma região de 20 km de extensão, a 1,5 km abaixo da calota polar sul. A profundidade ainda não é conhecida com precisão. Inclusive, é possível que não se trate exatamente de um ‘lago’, mas de sedimentos rochosos ricos em água. Como o procedimento com radar ainda não está bem estabelecido, no futuro próximo deveremos ter mais informações até mesmo sobre outros locais com ocorrência de água subsuperficial”, afirma o astrofísico.

 

 

Bom, mas como o próprio Silva disse, essa não foi a primeira vez que descobriram água em Marte. Uma rápida busca na internet mostra que desde 1970 os cientistas procuram indícios desse bem tão precioso por lá. Então qual a novidade agora? “A diferença é que trata-se de água no estado líquido e a uma boa profundidade, como ocorre com o Lago Vostok, aqui na Terra, sob a Antártida”.

 

Para quem não conhece, o Lago Vostok é o maior dos 150 lagos sob a superfície da Antártida. Ele ocupa uma área de 14 mil quilômetros quadrados e está sob uma camada de quase 4 km de gelo.

 

 

Voltando ao nosso tema... e aí, já está com planos de se mudar para o planeta vermelho? Sentimos decepcionar você, jovem! As notícias que nosso astrofísico colaborador traz não são muito animadoras.

 

“A colonização de Marte apresenta vários problemas que ainda são difíceis de contornar. A disponibilidade de água é um importante fator que pode favorecer nossas pretensões de colonizar o planeta vermelho, mas devemos lembrar que uma colônia sustentável precisará de uma atmosfera respirável e de pressão similar à nossa, além de um solo cultivável e fontes de energia confiáveis no próprio planeta. Também não sabemos os efeitos no corpo humano de uma exposição prolongada num ambiente em gravidade zero durante a viagem e em baixa gravidade na superfície de Marte. Esses e outros fatores devem ser levados em consideração para saber se, de fato, é possível a humanidade habitar esse planeta”, diz ele.

 

 

Pois é, galera! No momento, morar em Marte não passa de ficção científica mesmo. E apesar dessa recente descoberta, há muito ainda a ser explorado no planeta vermelho. Mas sejamos otimistas: com a ciência e suas tecnologias avançando cada vez mais, daqui a pouco estaremos fazendo companhia aos nossos amigos marcianos! Se é que eles existem mesmo...

 

 

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