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Um assistente para chamar de seu

21/05/2018

Quando a solução para um problema do dia a dia vira uma chance de participar da maior feira de ciências do Brasil e – de quebra – se tornar microempreendedor

 

Na ciência, uma grande ideia geralmente surge a partir da necessidade de entender algo ou para facilitar a execução de alguma tarefa. Com o estudante Marco Antônio Pereira Junior, da Etec Tenente Aviador Gustavo Klug, de Pirassununga (SP), não foi diferente. A partir de um problema típico dos estudantes de sua escola, ele criou um Assistente de Estudos virtual.

 

A iniciativa deu tão certo que rendeu, entre outras coisas, uma vaga na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, a Febrace, um evento promovido todos os anos pela USP para incentivar a criatividade e o pensar científico da galera que cursa o ensino médio e o fundamental. Bora conhecer como foi essa experiência do Marco?

 

Como tudo começou

 

Quando ainda estava no 1º ano do ensino médio, o estudante percebeu que ele e seus colegas tinham dificuldade de se organizar para estudar. Mas foi durante uma aula sobre métodos de aprendizagem que uma lâmpada se acendeu em sua mente e ideias começaram a aparecer.

 

“Nessa aula, o professor estava explicando sobre formas de aprender e fixar melhor os conteúdos. Como eu gostava muito de coisas relacionadas a informática, pensei: por que não criar um site onde eu e meus amigos pudéssemos nos organizar e ter um material mais acessível, mais simples e eficaz para estudar?”, conta ele.

Assim surgiu a ideia de um assistente de estudos. “Aqui na escola, como o ensino médio é integrado ao técnico, temos muitas matérias, trabalhos e provas. Com isso, acaba ficando difícil se organizar e lembrar de todas as datas. O Assistente de Estudos é uma plataforma que auxilia os jovens com seus horários de aula, datas de provas e trabalhos, resumos de matérias, materiais de estudo e muito mais”, explica Marco.  

 

Pode parecer uma ideia simples, mas o projeto demorou três anos para ficar pronto. Primeiro, Marco criou uma interface, uma espécie de “cara” para o site. Em seguida, fez uma pesquisa entre os amigos para decidir o conteúdo. “Queria saber o que eles gostariam de encontrar no site e se usariam o computador ou o celular para acessar. Essas pesquisas foram feitas em 2016, primeiro com o pessoal da minha sala e posteriormente com outros alunos da Etec através de um link que coloquei no próprio site do Assistente de Estudos e eles respondiam”, conta Marco.

Marco mostrando o assistente de estudos.

 

Claro que um projeto como esse precisa do apoio de muita gente. No caso de Marco, todos no colégio ajudaram no processo de criação do site. “Durante todo o desenvolvimento do projeto, sempre teve um pessoal que ajudava usando e testando o programa: amigos, professores e até o coordenador da escola. Eles também davam sugestões como: ‘olha seria legal se tivesse tal coisa’, ou ‘se desse para fazer isso ficaria bom’. Depois um tempo, disponibilizei o uso do Assistente para meus colegas de sala e fui expandindo para outras turmas, até que, em um dado momento, a escola toda estava usando”.

 

Como cursava o ensino médio integrado ao técnico, ao final do 3º ano Marco precisava de um trabalho de conclusão de curso para se formar. Aí entrou em campo a professora Joseli Marise, que se tornou sua orientadora. E sabe qual foi o tema escolhido para o TCC? “Optamos por continuar desenvolvendo o projeto do Assistente de Estudos. Minha ajuda como orientadora foi mais com a parte escrita, porque a parte de desenvolvimento já estava praticamente pronta. Os alunos já estavam até usando o sistema”, conta ela.

 

Marco e sua orientadora Joseli

 

Mas é claro que uma iniciativa assim não poderia terminar como um simples trabalho de escola. Por isso, surgiu a ideia de inscrevê-lo na Febrace. E adivinha o que aconteceu com o projeto do Marco? Que rufem os tambores...

Adivinhe: o Assistente de Estudos foi um dos finalistas da Febrace! Claro que o Marco ficou feliz com a conquista, mas também bateu uma certa preocupação. “A participação na Febrace fugiu um pouco do meu horário e do que eu vinha me planejando para este ano. Fiquei com medo: como eu ia conciliar a faculdade com a data da feira, uma vez que ela dura uma semana inteira?”, confessa o estudante.

 

Mas, no final, tudo deu certo. E lá se foi o Marco para São Paulo, no começo de março. A apresentação, claro, foi um sucesso. Além do estudante, a professora Joseli também vibrou com a oportunidade. “Na minha opinião, a Febrace é a maior feira de nível médio que existe hoje, tanto em extensão quanto em visibilidade, uma vez que recebe projetos do Brasil todo. Então para a gente é uma honra ter esse projeto como finalista”.

 

OK, legal, mas... agora que a feira terminou, o que o Marco vai fazer? O projeto vai ter continuidade?

 

Temos ótimas notícias: a Etec Tenente Aviador Gustavo Klug gostou tanto do projeto que vai integrá-lo a seu sistema de ensino. Sim, além de ser um dos finalistas da Febrace, Marco virou microempresário! “A Etec está negociando com ele a compra desse sistema. Está na fase final do contrato, mas na verdade nós já estamos usando. Agora vamos formalizar com o contrato o uso do sistema”, adianta Joseli.

 

 

Mas... e os estudos, Marco? “Decidi seguir a mesma área e ingressei este ano no curso de engenharia de computação. Como eu já fiz vários cursos relacionados à informática, tenho certeza de que essa é a área que eu quero seguir”, conta o estudante.

 

Ele acredita que é fundamental estimular o interesse dos alunos por pesquisa e desenvolvimento de projetos, como o que ele teve a oportunidade de concluir. “Acho que esse tipo de incentivo é essencial nas instituições de ensino. No entanto, são poucas as que têm esse perfil e que mostram para os alunos o quanto fazer um projeto ajuda a aprofundar os conhecimentos que ele adquiriu ao longo de um curso. Posso falar por mim: como o assistente foi feito todo do zero, precisei aplicar a maioria dos conteúdos que aprendi nos dois cursos técnicos que fiz, informática e informática para internet, para montar e ‘fazer’ os códigos do site. Com isso, sinto que meu conhecimento de programação, desde quando eu comecei a fazer o assistente de estudo até hoje, evoluiu muito”.

 

E você? Que tal tirar aquela boa ideia do armário e transformar em um projeto para a Febrace do ano que vem?

 

 

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