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Mais informações:  cienciaporai2017@gmail.com

Por que soluçamos?

Praticamente todo mundo em algum momento da vida teve soluços. Mas você já parou para se perguntar por que eles acontecem? Será que tomar um susto pode mesmo cortar essa incômoda reação do corpo? Calma, jovem! Pode respirar tranquilamente porque a intrépida equipe da Ciência Por Aí foi buscar mais esta resposta!

 

“Soluços são contrações súbitas dos músculos respiratórios que ocorrem acompanhadas pelo fechamento da glote e provocando o som característico ‘hic’”, explica a professora do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP Elisabeth Spinelli de Oliveira.

 

Ela conta também que existem pessoas campeãs de soluços. Registros médicos mostram, por exemplo, que o americano Charles Osbourne soluçou ao longo de 69 anos.

 

 

“Parece haver um componente genético nos casos de pessoas que apresentam soluços por períodos prolongados de tempo. Em geral, outras pessoas da família são afetadas, e a ocorrência é maior em homens do que em mulheres”, diz a professora.

 

Elisabeth explica ainda que o primeiro evento de soluço pode ocorrer em uma pessoa antes dela nascer. “Estudos usando ultrassons mostram que bebês de dois meses de vida intrauterina podem soluçar mesmo sem terem ainda os movimentos respiratórios propriamente ditos”.

 

 

Tenha paciência, jovem! Na verdade, segundo Elisabeth, essa é uma questão um pouco mais complexa do que parece. “A explicação mais aceita atualmente tem a ver com a descoberta mencionada acima de que bebês soluçam antes mesmo de nascer. Estariam os bebês ensaiando o padrão de respiração que usarão para mamar? Sim, essa é uma explicação plausível. Essa respiração exigiria somente colocar em uso os circuitos de neurônios que controlam a respiração de nossos ancestrais vertebrados”, explica a professora.

 

 

Tá, mas... pera lá! O que nossos ancestrais vertebrados têm a ver com o soluço que damos hoje? “A respiração em peixes e anfíbios, que são nossos ancestrais vertebrados, é bucal e os movimentos respiratórios feitos pelo assoalho da boca são facilmente observáveis. Os circuitos de neurônios que comandam os músculos respiratórios e de fechamento da glote em nossos ancestrais não são mais usados pelos humanos no comando da respiração na vida pós-natal porque todos os amniotas [animais cujos embriões são rodeados por uma membrana amniótica] apresentam respiração torácica. Sim, mudam os músculos respiratórios – na inspiração assumem os intercostais externos e o diafragma – e os circuitos neurais que os comandam. Mas embora não sejam mais usados, esses circuitos neurais não desaparecem. Em mamíferos, como os seres humanos, eles são usados durante o ato de mamar e depois permanecem sob forte e contínua inibição, até que, por motivos desconhecidos, voltam a funcionar, gerando... soluços!”, diz Elisabeth.

 

E afinal, o que pode ser feito para passar o soluço? Elisabeth conta que manobras feitas para aumentar o nível de gás carbono no sangue, como prender a respiração por um tempo prolongado ou respirar em um saco de papel (somente para adultos!), têm uma base científica, já que o gás carbônico é o principal modulador da respiração no sistema nervoso central de animais de vida terrestre, como nós.

Não se anime, vovó! “Mesmo assim, faltam estudos padronizados que demonstrem a eficácia de tais práticas”, lembra a professora.

 

Mas e aquela velha tática de dar um susto em quem está soluçando? Funciona? “Caso o susto seja suficiente para suspender a respiração, por exemplo, um susto bem terrível, tipo ‘O Massacre da Motosserra’, pode ser que tenha algum impacto, se não matar do coração”, finaliza Elisabeth.

 

 E você? Também tem uma dúvida como essa, mas não sabe para quem perguntar? Mande para o Ciência Por Aí que a nossa intrépida equipe vai atrás da resposta! Envie sua pergunta para o e-mail cienciaporai2017@gmail.com. E não se esqueça de colocar seu nome completo e sua cidade. Estamos esperando sua participação!

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