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Fast food faz mal à saúde?

13/03/2018

Domingo, almoço em família, primos pequenos reunidos e tem sempre um que grita: quem terminar de comer primeiro ganha! Essa é a chave para uma competição maluca, capaz de deixar os pais com os cabelos em pé e que vai resultar em mais tempo livre para diversão. Mas conforme crescemos, comer apressadamente deixa de ser brincadeira e passa a ser uma questão de economia de tempo. Afinal, tempo é dinheiro!

 

 

O que parece um ato inocente pode esconder armadilhas. Afinal, para ganhar tempo na refeição, recorremos ao bom (será?) e velho fast food, aquelas comidas rápidas, práticas e saborosas, mas que acabam favorecendo o surgimento de problemas de saúde quando seu consumo vira um hábito.

 

 

Parece exagero, mas não é. “Alimentos altamente processados, isto é, que sofreram grandes modificações industriais [como os fast foods], são nutricionalmente mais pobres e compostos por substâncias como as gorduras trans, que são gorduras modificadas ou artificiais. Elas estão associadas com risco mais elevado de desenvolver distúrbios nutricionais e metabólicos, como diabete, hipertensão arterial e obesidade, já que esse tipo de gordura é muito mais nocivo do que as gorduras encontradas na natureza”, explica o professor do Departamento de Puericultura e Pediatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP Sonir Antonini. 

 

 

OK, comer uma pizza ou um hambúrguer vez ou outra não é um problema. O risco é quando o consumo supera três vezes na semana. Segundo Sonir, esse mau hábito está associado ao desenvolvimento de diversas doenças, desde desnutrição até problemas cardíacos. No entanto, a mais comum é o diabete melito, uma doença que afeta a forma como o corpo processa o açúcar do sangue.

 

“Até bem recentemente, esse tipo de doença ocorria somente em adultos. Porém, nas últimas duas décadas, o número de adolescentes e até de crianças com diabete melito cresce a cada ano. A razão disso é o excesso de peso nos jovens. Crianças e adolescentes com essa doença provavelmente desenvolverão complicações precocemente, entre elas o risco de infarto cardíaco e de derrame cerebral, além de insuficiência renal e de cegueira. A ocorrência de obesidade em um organismo em desenvolvimento, como o de crianças e jovens, pode trazer outras consequências, como problemas articulares e na coluna vertebral”, diz o professor.

 

E a lista de problemas não para por aí. Sabe aquela alergia que você não tinha e começou a ter, ou aquela falta de ar que surgiu sem motivo aparente?
 

 

Estes dois sintomas podem estar associados justamente ao consumo excessivo de fast foods. “Diversas substâncias artificiais frequentemente encontradas nesses alimentos pode modificar a microbiota intestinal, provocar inflamação sistêmica e também aumentar a ocorrência de alergias. Por exemplo, um estudo científico publicado em 2016, que avaliou 1.700 estudantes na Arábia Saudita, demonstrou que o consumo de fast food aumentou em 53% o risco de apresentar asma brônquica”, conta Sonir.

 

 

 

Mas não é só a composição dos fast foods que traz riscos à saúde. Comer enquanto mexemos no celular ou mesmo quando estamos em movimento também acaba interferindo em nosso corpo. “Recomenda-se, sempre que possível, que as refeições principais ocorram em local e situação apropriados, à mesa, longe de distrações como televisão e computadores. Dessa forma, podemos prestar atenção integral ao tipo e quantidade de alimento a ser ingerido, bem como mastigá-lo adequadamente. Dados científicos mostram que crianças que comem sentadas no sofá e assistindo à televisão têm risco aumentado de desenvolver obesidade”, conta ele.

 

 

Pois é, jovem! Melhor pensar bem antes de usar a hora de almoço para se atualizar sobre as novidades da timeline do Facebook!

 

Mas não é só isso. Os especialistas suspeitam que outras doenças aparentemente sem relação com o consumo de fast foods, como o mal de Alzheimer e a depressão, podem sim começar com o consumo habitual desses alimentos.  

 

“Ainda não há evidências conclusivas de que o consumo maior ou menor de determinado alimento ou grupo de alimentos aumente o risco de desenvolver a doença de Alzheimer ou proteja dele. Por outro lado, o consumo de fast food aumenta o estresse oxidativo e, frequentemente, contém taxas elevadas de gorduras saturadas. Há indícios preliminares que esses dois fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento dessa doença”, explica Sonir.

 

Em relação à depressão, o professor conta que estudos realizados tanto em adultos como em jovens confirmam o vínculo entre o problema e o padrão de alimentação. “Uma pesquisa recente avaliou mais de 800 meninas coreanas entre 12 e 18 anos de idade e mostrou evidências claras de que o consumo de alimentos ultraprocessados ou de preparo instantâneo aumenta significativamente o risco de depressão. Por outro lado, o consumo de vegetais e de frutas, pelo menos uma a duas vezes ao dia, reduz esse risco”, diz.
 

 

Então, fica a dica: consuma fast food com moderação! Sua saúde agradece!

 

 

 

 

 

 

 

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