Quando a ciência vira um projeto de vida

Prêmios em olimpíadas e concursos científicos fazem parte do dia a dia de João Pedro, mas seu objetivo é um só: tornar-se pesquisador


Ele tem só 17 anos, mas integra uma das trinta melhores equipes do mundo selecionadas por um concurso do Centro Europeu para Pesquisa Nuclear (CERN), uma das maiores e mais respeitadas organizações científicas do mundo.


João Pedro de Oliveira Silva é estudante do curso técnico de Eletroeletrônica no Colégio Técnico de Campinas, o Cotuca, mantido pela Unicamp. Até aí, um adolescente como qualquer outro. Mas o que leva alguém tão jovem a embarcar em um universo tão vasto como a ciência?


A aventura começou em casa mesmo, com o incentivo dos pais. “Cresci cercado por livros que minha mãe havia acumulado, enquanto meu pai fazia questão de discutir temas sócio-políticos que pareciam pouco acessíveis para uma criança. Foram, sem dúvida, meus primeiros mestres”, conta João.


Ainda no ensino fundamental, João descobriu as olimpíadas científicas – e começou a acumular prêmios: uma menção honrosa a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e uma medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA).

Com o ingresso no Cotuca, após um processo seletivo bastante disputado, as oportunidades e desenvolvimento de projetos de ciência se ampliaram. “Conheci várias olimpíadas científicas e elas foram a porta de entrada para todas as demais atividades. Em 2015, participei da Olimpíada de Física das Escolas Públicas (OBFEP), da OBA, da Canguru de Matemática e da Olimpíada de Química do Estado de São Paulo. Nesta última, a prova incluía uma redação sobre luz e química, e escolhi escrever sobre câncer de pele e terapia fotodinâmica. A partir do texto produzido, percebi que queria me envolver mais com atividades extras”, conta ele.


Em 2016, a coisa ficou mais séria. A partir do projeto de um aparelho desenvolvido para o curso técnico, João começou a ter contato com os primeiros congressos e eventos científicos. “Depois, em equipe, resolvemos nos arriscar na área de empreendedorismo. Recebemos mentoria de uma companhia famosa no segmento de softwares e aplicativos por meio do Inova Jovem Unicamp, competição que nos rendeu a posição de finalistas entre diversos projetos do País e promoveu nossa primeira ‘startup’ [hoje parada] a Mãos à Obra – Construção & Conexão”, diz.


No mesmo ano, João participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (PIBIC-EM), promovido pelo CNPq. No projeto, realizado em parceria com a prefeitura de Campinas, ele ajudou a desenvolver uma estação meteorológica para ser acoplada em drones e assim colher informações ambientais. A iniciativa foi apresentada no Fórum Brasil de Gestão Ambiental, evento promovido pelo Ministério do Meio Ambiente.

Em 2017, foi a vez de se aventurar em uma nova área: a neurociência. Uma visita ao Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, para fazer um curso, despertou o encanto de João por esse ramo da ciência e o levou a conquistar o primeiro lugar na Olimpíada de Neurociências do Estado de São Paulo. “A premiação permitiu que eu entrasse em contato com renomados pesquisadores e neurocientistas do Brasil, e também me proporcionou uma viagem ao Rio de Janeiro para disputar a fase nacional da competição. Mas, além de tudo isso, ela abriu caminho para eu me tornar um pesquisador”.


Ao mesmo tempo, ele também integrava uma equipe que estava se preparando para um concurso do CERN. O Centro promove desde 2014 uma competição internacional voltada para alunos do ensino médio, a Beamline for Schools (BL4S), que procura engajar jovens de todo o mundo no estudo da física moderna, principalmente de partículas e aceleradores. Ela premia as duas melhores equipes com uma viagem à sede do CERN, em Genebra, na Suíça, para desenvolver o projeto inscrito na competição.


A equipe decidiu focar seus esforços para ajudar no maior desastre ambiental do Brasil: o rompimento de uma barragem de rejeitos de minério em Mariana (MG), que contaminou o Rio Doce. Eles desenvolveram uma técnica para análise da água e de seu nível de contaminação.


“Através de uma curva padrão construída a partir de diferentes concentrações e respostas observadas dos níveis de absorção, dispersão e velocidade do choque entre feixe de múons [partículas semelhantes aos elétrons] e nossos alvos [amostras], poderíamos trabalhar na compreensão do quanto o Rio Doce foi afetado”, explica ele.


O projeto deu à equipe um lugar entre as trinta melhores da competição, além de prêmios como certificados, camisetas e também um detector de raios cósmicos para a instituição em que eles estudam. “Além desse reconhecimento internacional ganhamos uma convivência espetacular, que deu ao nosso grupo laços de amizade fortíssimos, dividindo trabalhos e experiências que nos mantêm unidos até hoje”, diz.

Equipe Brazinga, classificada entre as 30 primeiras na competição Beamline for Schools (BL4S), do CERN. Integrantes: Beatriz Ferreira Forcato, Gabriel dos Santos Rinto e João Pedro de Oliveira Silva, Giovanna Machado Flores, Giulia Giacomello Pompilio, Ian Loron de Almeida e Nikolas Franco Rios e Airton Cardoso Lana.

Depois de tantos prêmios e experiências marcantes, será que João ainda tem grandes objetivos? “Quero ser aprovado em medicina na Unicamp e futuramente tentar uma vaga em universidades do exterior, como Harvard e MIT. Poucas certezas me aguardam para as próximas etapas educacionais de minha formação, porém, um objetivo me move: tornar-me professor e um grande pesquisador, fazendo da vida acadêmica meu grande entusiasmo”, afirma ele.

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