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Comer e tomar banho logo em seguida faz mal?

 

Em algum momento da sua vida, alguém com certeza já deve ter te falado que tomar banho ou entrar na água depois de comer faz mal, certo? Na maioria das vezes ouvimos esses sábios conselhos da nossa avó e logo já pensamos: “minha vó sempre tem algum conselho maluco! de onde ela tira isso?”

 

 

É verdade que as avós são fontes de conhecimento e experiência prática, mas será que ela está sempre certa? Alguma vez você já teve coragem de desafiar os conselhos da sua avó sem que nada acontecesse?
 

 

 

Na internet encontramos muitas opiniões sobre os efeitos de uma refeição seguida de um banho. Porém, estudos científicos são raramente consultados e citados a respeito dos efeitos combinados de digestão e imersão na água.

 

Para explicar melhor esses mecanismos e entender um pouquinho sobre o que acontece fisiologicamente com nosso corpo quando entramos na água após uma refeição, conversamos com o professor do Departamento de Biologia Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP Wilfried Klein.


 

 

 

Ele explica que primeiramente deve-se definir a expressão ‘tomar banho’, pois um banho pode ser tomado num chuveiro ou numa banheira, e ainda com água fria, morna ou quente. “Um banho de chuveiro de duração normal não deverá afetar a digestão, uma vez que a pele não está em contato constante com a água, resultando em somente pequenas modificações no sistema circulatório que não devem afetar a digestão. Contudo, um banho de banheira, onde a maior parte do corpo está imerso na água, já é outra questão”, explica o professor.

 

Mas quando tomamos banho em uma banheira com água quente (40°C, por exemplo), ocorre em nosso organismo um mecanismo chamado vasodilatação periférica, que faz com que haja um aumento da perda de calor para evitar que a temperatura do corpo fique muito alta.

 

Klein destaca que esse mecanismo de vasodilatação também leva a uma redução da pressão sanguínea, o que poderá causar um desmaio da pessoa na banheira e assim aumentar o risco de afogamento. “Essa condição foi investigada em jovens adultos e idosos em jejum. Foi demonstrado que os jovens podem compensar as modificações no sistema nervoso simpático associadas à imersão em água quente. Já os idosos tinham mais dificuldade em ajustar a circulação às condições de banho quente, aumentando o risco da pessoa desmaiar”.

 

Segundo o professor, é por isso que pessoas idosas realmente devem tomar cuidado na hora de nadar ou tomar banho em água muito quente.

 

 

 

Para resumir tudo isso: a ingestão de quantidades muito grandes de alimento associada a um banho em água muito quente pode sim prejudicar o funcionamento do nosso corpo, especialmente se esse banho for de imersão, como no exemplo da banheira. Já um banho curto em água fria não deve prejudicar o processo digestivo, mas se for muito demorado, o corpo poderá sofrer hipotermia [queda muito rápida da temperatura do corpo] e as consequências associadas a esse processo.

 

Agora, quando sua avó não te deixar tomar banho depois de comer, você já pode explicar para ela todos os mecanismos envolvidos nesse processo, e também alertar que ela não deve tomar banhos muito quentes, principalmente se forem na banheira!

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