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Com a cabeça nas estrelas

11/12/2017

Conheça a equipe que representou o Brasil na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica e alcançou a posição mais alta no pódio

 

 

Da direita para esquerda, os estudantes Henrique Oliveira, Fernando de Senna, Miriam Koga, Danilo Apendino e Bruno Piazza, que representaram o Brasil na OLAA [Foto: Portal G1/Divulgação]

 

Ficar observando o céu à noite, repleto de estrelas e de uma imensidão de astros, é um tanto inspirador. Mas para cinco jovens brasileiros, esse ritual terá um sabor bem mais especial daqui em diante.

 

Miriam Harumi Koga, Bruno Caixeta Piazza, Fernando Ribeiro de Senna, Henrique Barbosa de Oliveira e Danilo Bissoli Apendino integraram a equipe que representou o Brasil na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA), realizada em outubro na cidade de Antofagasta, no Chile. Na bagagem, trouxeram quatro medalhas de ouro, uma de prata e o primeiro lugar no quadro geral de medalhas.

 

Todos eles passaram antes pelas seletivas da Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) e Astronáutica, uma competição que envolve alunos de ensino fundamental e médio de escolas públicas e particulares do país inteiro.

 

“A OBA é um processo de diversas fases e diversas provas que me introduziu à Astronomia. Por causa dela, tive determinação para aumentar meu conhecimento exponencialmente sobre o assunto até me apaixonar pela matéria. A importância de competições como a OBA é a visão que elas te dão sobre a matéria: com aulas muito aprofundadas no assunto, o aluno desenvolve um senso do que realmente é ensinado dentro dos cursos de ensino superior”, conta Danilo, que tem 16 anos e está no 3º ano do ensino médio em São Paulo.

 

“Participei da OBA quatro vezes e é sempre uma experiência enriquecedora, uma vez que a prova busca, além de testar nossos conhecimentos, nos ensinar algo novo. É também um incentivo ao estudo da Astronomia e foi o que me possibilitou alcançar o ouro na OLAA. Além do conhecimento e medalhas, as olimpíadas nos permitem ter experiências que a escola por si só não é capaz de nos fornecer, ter contato com professores do nível superior que podem nos ensinar muito e conhecer outros alunos que têm os mesmos interesses que nós”, conta Fernando, que tem 17 anos e cursa o 3º ano do ensino médio em Jundiaí (SP).

 

Para Danilo, quanto mais os jovens se interessarem por competições como a OBA, maior será o ingresso deles na carreira científica. “A participação dos estudantes favorece a divulgação do conhecimento. Quando uma olimpíada cresce muito, ela se torna mais visível na mídia, incentivando jovens de diferentes regiões a participar e estudar novos conteúdos, o que também pode ajudar a aumentar a quantidade de profissionais na área”, afirma ele.

 

Uma competição diferente

 

Quem participa de olimpíadas científicas no Brasil, geralmente passa por uma experiência mais ligada à competitividade. Afinal, são milhares de estudantes do País inteiro disputando uma medalha. Embora a OLAA também tenha o status de competição, o clima é bastante diferente, segundo os estudantes brasileiros.

 

“A organização da olimpíada preza muito pela integração das delegações, então não há um espírito de disputa durante o evento, como nas outras olimpíadas”, conta Bruno, que tem 17 anos e cursa o 2º ano do ensino médio em Campinas (SP).

 

Ao todo, participaram 50 alunos de ensino médio de dez países da América Latina: Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru e Uruguai. O Panamá também esteve presente, mas enviou apenas um observador. Segundo o coordenador da OBA e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro João Batista Garcia Canalle, essa oportunidade promove o intercâmbio de conhecimentos entre os alunos e de experiências didáticas entre os professores que lideram os grupos.

 

"Por meio de iniciativas como a OLAA, desejamos unir as nações, fomentar e popularizar a astronomia e a astronáutica entre os países participantes e despertar o interesse nos jovens pela astronomia e pelas ciências espaciais. O objetivo principal não é a competição entre países. A OLAA é uma grande oportunidade de integração internacional entre as nações”, destaca.

 

Para Henrique, que se sente um pouco incomodado com o clima de competição das seletivas brasileiras, participar da OLAA foi muito positivo. “Na OLAA, o clima é completamente diferente. Mesmo entre os países não há muita competição, é muito construtivo ter contato com outras culturas e os passeios e palestras são espetaculares. Quanto às provas, a seletiva brasileira prepara muito bem, e foram mais fáceis que o esperado por toda a delegação”, diz o estudante, que cursa o 2º ano do ensino médio em Valinhos (SP).

 

Pera lá... Você falou em passeio, Henrique? Mas a olimpíada não é composta só por provas, como no Brasil?

 

 

 

Calma, gente! Há uma prova teórica, realizada em duas partes, individual e em grupo, mesclando as delegações. Já a parte prática envolveu uma competição de lançamento de foguetes em grupos multinacionais e uma avaliação do céu real, que foi feita individualmente e exigiu o manuseio de telescópios.

 

Mas, como disse o Henrique, as delegações também fazem passeios – claro, relacionados à astronomia. Neste ano, os estudantes foram conhecer o Very Large Telescope (VLT), uma instalação localizada no Observatório Paranal, no Deserto do Atacama, que abriga o maior conjunto de telescópios ópticos do mundo. “A visita ao VLT possibilitou que nós víssemos um pouco de como funciona uma das mais importantes fontes de dados acerca do universo na atualidade”, conta Bruno.

 

A equipe brasileira na visita ao Observatório Paranal (Foto: Astronomia UA)

 

O passeio ainda ajudou a dar outra visão sobre o dia a dia dos cientistas, segundo Bruno. “Durante a visita, entramos nas salas de trabalho dos astrônomos do observatório. Lá, havia murais por todas as partes, nos quais os cientistas deixavam recados, faziam brincadeiras e colavam fotos uns dos outros. Com isso, percebi que a ciência é feita, acima de tudo, por seres humanos que também necessitam de espaço para descontrair”, afirma o estudante.

 

E o que mudou com a OLAA?

 

Participar de uma olimpíada internacional certamente mexe muito com a cabeça dos jovens. Afinal, imagine a quantidade de conhecimento que dá para trocar com tantos estudantes de diferentes países! Para a equipe brasileira, participar tanto da OLAA quanto da própria OBA alterou, principalmente, a percepção sobre a ciência.

 

“Antes, eu desconhecia as implicações da ciência no cotidiano, sua importância na criação de novas tecnologias e no avanço da sociedade como um todo. Hoje, percebo que a humanidade só atingiu o atual nível de desenvolvimento com o auxílio da ciência”, diz Fernando, que também acabou mudando de ideia sobre a carreira que pretende seguir. “Durante muito tempo, quis me voltar para as Ciências Humanas na universidade, mas, com as aulas preparatórias e olimpíadas, percebi que gosto mais das Ciências Exatas. Atualmente, pretendo cursar Engenharia Física, mas não descarto, depois, ingressar no estudo de uma ciência pura como Física ou Astronomia”, diz.

 

Já Danilo passou a entender que o conhecimento é feito de dúvidas e não de certezas, como é tradicionalmente difundido no ensino médio. “A OLAA, em especial, também me fez perceber que hoje a ciência é altamente colaborativa: mesmo que no passado fosse normal que alguns nomes tivessem destaque, atualmente é mais eficiente quando toda a comunidade se une em torno de um objetivo, como foi o caso da detecção da colisão de duas estrelas de nêutrons, em que diversos detectores, em diversas regiões, permitiram uma certeza maior do resultado obtido”, afirma ele.

 

Para Henrique, a experiência também mudou aquela imagem de uma ciência que nunca está errada. “A visão de uma ciência que evoluiu e hoje está sempre certa que é apresentada no ensino médio foi completamente desconstruída e fui apresentado a uma ciência que é construída todos os dias, com modelos e teorias que são testados e podem falhar ou funcionar e estão em constante mudança. Além disso, aprendi qual o uso prático de muitos conceitos que pareciam desconectados quando apresentados anteriormente”, diz Henrique.

 

E aí, ficou com vontade de participar de uma olimpíada assim? Então fique ligado: as inscrições para a OBA geralmente terminam no mês de março. Para mais informações, acesse o site www.oba.org.br.

 

 

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