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Mais informações:  cienciaporai2017@gmail.com

Incentivando futuros cientistas

13/11/2017

 

Plataforma dá apoio a estudantes que querem começar a carreira científica antes mesmo de entrar na universidade...

 

 

Já se pegou pensando em fazer um projeto, mas sem saber por onde começar? Como fazer? Com quem falar? Ou a quem pedir ajuda?

 

Muitas vezes ao longo da nossa vida, temos grandes ideias porém não as colocamos em prática por falta de orientação.

 

 

 

Desde 2015, existe uma plataforma on-line chamada Cientista Beta. Essa iniciativa tem como objetivo ajudar alunos do ensino médio e técnico que querem desenvolver um projeto científico, seja ele simples ou complexo. A plataforma foi fundada pela estudante de medicina Kawoana Trautman Vianna com a ajuda de outros jovens. “O projeto surgiu de uma vontade que eu tinha de poder retribuir para a sociedade tudo que havia aprendido com a experiência de fazer pesquisa no ensino médio e técnico. Eu sabia o quanto isso havia transformado minha vida e me tornando mais protagonista. Conheci horizontes mais amplos por conta dos projetos científicos que desenvolvi nesta fase e queria poder levar isso para outros jovens brasileiros”, afirma Kawoana.

 

O Cientista Beta auxilia jovens que têm ideias de projetos científicos, mostrando caminhos e formas para colocá-los em prática. Para isso, eles utilizam o método de mentorias, ou seja, jovens que já participaram de algum projeto científico e passam a ajudar outros jovens, e de professores orientadores, que são especialistas relacionados à área em que o orientado tem interesse.

 

Bom, depois de toda essa explicação, você deve estar se perguntando: como posso fazer parte do Cientista Beta?

 

 

 

“Os jovens estudantes do ensino médio e técnico se inscrevem e, se selecionados, participam de um programa de oito meses ao longo dos quais recebem ajuda de um mentor, desafios e conteúdos especializados”, explica Kawoana.

 

O Cientista Beta é dividido em dois programas. No Decola Beta, o estudante selecionado tem direito ao apoio de um mentor e a conteúdos especializados, como explicou a Kawoana, e fica ligado à plataforma durante oito meses. Já o Experiência Beta é um evento anual do qual o jovem participa durante três dias, geralmente no final do ano. Lá ele encontra professores, mentores e empreendedores com quem pode conversar sobre seu projeto e receber orientação, e também participa de dinâmicas.

 

Nos dois casos, depois que você é selecionado, é preciso pagar uma taxa. Para o Experiência Beta, o valor é de R$ 80. Já para o Decola Beta, ele chega a R$ 200.

 

 

 

Calma, não precisa se desesperar! Se você quer participar do Decola, pode se inscrever para concorrer a bolsas de estudo.

 

 

 

Mas também há outros materiais no site do Cientista Beta que podem ser acessados sem a necessidade de participar de um dos programas. “Em nosso site, publicamos e-books e textos. A maioria dos nossos materiais é produzida diretamente para jovens estudantes do ensino médio e técnico. Temos também alguns materiais produzidos especificamente para professores interessados em orientar projetos científicos. No geral, embora nosso foco seja os estudantes, públicos de todas as idades apreciam nosso conteúdo. Usamos uma linguagem simples, descontraída e mostramos a ciência de uma forma mais atrativa”, diz Kawoana.

 

 

Das ideias à mão na terra

 

E como será a experiência de passar pelo Cientista Beta? Será que dá mesmo para colocar um projeto em prática? O estudante do 3º ano do ensino médio Arthur Henrique Sulzbach viveu essa experiência. Ele encontrou no Cientista Beta o apoio para realizar uma pesquisa sobre o processo de recuperação de áreas degradadas utilizando uma espécie de orquídea nativa do sul do país.

 

 

 

Em um papo com o Arthur, ele nos contou como todo o seu amor pela ciência surgiu. “Quando eu estava na quinta série, meu professor de ciências falava sobre briófitas e eu fiquei absolutamente encantado com aquele conteúdo. Lembro que voltei pra casa e comecei a coletar musgos nos muros para cultivá-los no meu quarto. Dentro de um mês, meu quarto não era mais um quarto, mas um conglomerado de potes plásticos, desinfetantes, culturas de fungos e bactérias na gelatina sem sabor”.

 

Durante um ano, Arthur fez experiências com musgos e cactos. Após esse tempo, ele começou a pesquisar sobre a produção de plantas. “Em 2012, eu conheci a área de micropropagação de plantas. Me recordo que fiquei simplesmente abismado e apaixonado pela técnica. O conhecimento não era suficiente, eu queria clonar e produzir minhas plantas in vitro [em um tubo de ensaio] no meu quarto”, conta ele.

 

Somente após três anos de persistência, Arthur conseguiu produzir suas primeiras plantas in vitro. “Desenvolvi um trabalho com o objetivo de utilizar essa espécie na recuperação de áreas ambientalmente degradadas. Porém, a recuperação ambiental leva em torno de oitenta anos para se efetivar por causa das interações mutualísticas [relação entre espécies] que ocorrem nesse local. A intenção da pesquisa era acelerar o processo de recuperação introduzindo uma espécie estratégica capaz de realizar tal fenômeno”, explica Arthur.

 

Em 2016, ele conheceu o Cientista Beta e decidiu inscrever seu projeto na plataforma. Deu tão certo que a ideia foi a vencedora do Prêmio Jovem Cientista, promovido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A conquista ainda rendeu credenciais para participar de dois eventos: o The International Sustainable World Energy, Engineering, and Environment Project (I-SWEEEP), um concurso de ciência internacional para estudantes do ensino médio realizado em Houston, Texas, nos Estados Unidos, e a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Minas Gerais, que é um importante fórum para a difusão dos avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento e de debates de políticas públicas para a ciência e tecnologia.  

 

Mas Arthur não parou por aí e continua sonhando com seu futuro na ciência. “Pretendo continuar o projeto dentro da universidade, pois terei apoio técnico e infraestrutura. Em relação à carreira acadêmica, eu sempre quis cursar licenciatura em ciências biológicas. Depois de muito pesquisar e rodar o país nas feiras científicas conversando com pessoas da área, agora sei que minha melhor carreira será na área de agronomia”.

 

Para ele, o contato com um projeto científico foi importante para seu desenvolvimento. “A ciência me possibilitou conhecer um mundo até então inóspito pra mim. Acredito que o principal benefício que ela me trouxe foi o senso crítico, a capacidade de discernir os fenômenos sociais e assim compreender melhor a realidade”.

 

Tem alguma dúvida? mande uma mensagem pro Ciência Por Aí.

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